A magia do ingresso na cultura escrita

leitura

A partir de duas estratégias didáticas muito simples, professores da Educação Infantil (e de outros níveis da Educação) e famílias podem oferecer às “crianças pequenas” momentos encantadores para ingressarem no mundo alfabético:

  1. uma biblioteca em casa ou na sala de aula (com escritas nos mais variados suportes);
  2. leituras em voz alta de histórias.

Parece óbvio, mas essas práticas diária podem ser de grande impacto na geração da curiosidade infantil sobre a escrita. Uma por dar acesso a textos variados como livros, revistas, jornais, calendários, gibis, embalagens. Outra por fazer a criança questionar no seu mais profundo eu: como que aquelas marquinha que mais se parecem “formiguinhas” no papel podem se transformar em voz, palavras com ênfases, que recriam histórias fantásticas, com tantos personagens e situações?! É a magia do ingresso na cultura escrita.

Além disso, há toda uma situação de carinho que pode envolver esse momento da leitura, pois o adulto pode colocar a criança e o livro no colo e “simbolicamente” abraçá-los para a história que vai começar.

Complementa ainda Rubem Alves, que os livros deveriam ficar à vista, porém trancados, pois o que é proibido se torna ainda mais atraente.

Observe que no momento mágico da leitura, toda criança fica em um silêncio próprio do fascínio. Olhos atentos, ouvidos “abertos”. Respiração quase suspensa…

Assim, de forma divertida e fantástica as palavras começam a soar, a mente se envolve e a criatividade e a imaginação vão bem longe. Essa é uma forma lúdica e a mais importante de todo o processo de alfabetização, fazer com que os pequenos queiram compreender a escrita, queiram experimentar as letras, queiram arriscar a leitura.

Na minha casa com meus filhos pequenos era assim. Havia a “hora da história”. Um momento que antecedia a “hora de dormir”. Rotina. As crianças corriam para a cama, com dentes escovados e xixi feito. O livro escolhido ficava ali o dia todo, na cômoda, a espera. E entre altos e baixos, vozes femininas, infantis, masculinas, boas e más, a viagem fluía. Eu sempre escolhia um momento para finalizar o conto: algo importante estava por acontecer e… “a história continua amanhã”.

“Ahhhhh… puxa! só mais um pouquinho!”

E quando eu saia do quarto espiava na freta da porta, e os via satisfeita correr ao livro para descobrir qual seria aquela próxima frase que conteria o suspense deixado no ar…

Assim também era na minha escola. Nós professoras nos dizíamos Sherazade das “Mil e uma noites” e líamos diariamente para nossas crianças… era especial!

E se você pensa que essa estratégia funciona só para os pequenos da Educação infantil… está redondamente enganado. Experimente fazer o mesmo na Educação superior, por apenas 5 ou 10 minutos no início de cada aula, com a leitura de um livro delicioso para aqueles ouvidos… será um tempo de magia, pois para a história não há idade, ela encanta a todos.


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