Qual a idade certa para ingressar no 1o ano escolar?

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Essa discussão dá “pano pra manga”…  principalmente porque o debate pode considerar diversos aspectos: emocionais, cognitivos, culturais, individuais, sócias, regionais, temporais. Por isso se torna tão difícil para a família e a escola decidir sobre o que é melhor para a criança.

Particularmente eu acredito que por mais que uma criança tenha um ambiente cultural favorável em casa e demonstre maturidade cognitiva durante a fase da Educação Infantil, é preciso olhar com cuidado para a maturidade emocional. Se por um lado a criança “dá conta” de aprender e desenvolver competências de acordo com o espaço existente entre a Zona de Desenvolvimento Proximal (Iminente) e a Potencial, por outro seu emocional não pode ser estimulado a ponto de “pular” ou ampliar fases. A criança será sempre criança.

Por isso vejo no deixar ser criança por mais 1 ano, uma grande possibilidade de a criança brincar por mais tempo, o que é de suma importância para o seu  crescimento integral como ser.

A questão é que as escolas e as famílias ainda estão muito voltadas para a competitividade, para o mercado, para as estratégias formativas, e se esquecem de que importa, sim, a felicidade, a auto compreensão, o não distanciamento da essência original. Sempre digo aos pais que teremos tempo suficiente para encarar a vida adulta, que não precisamos estar formados em uma faculdade aos 21 anos. Que é bom ter mais tempo para escolher o que se pretende ser e realizar profissionalmente. Mas o que acabamos por ver, são crianças deixando de serem crianças tão cedo, Jovens sem rumo, sem saber exatamente o que são e para onde devem seguir, pressionados por um entorno que cobra performances e resultados financeiros de alto nível.

Obviamente que o sucesso é algo a ser considerado, mas primeiro devemos nos perguntar o que realmente é o sucesso? Ter uma carreira promissora apenas? Ou desenvolver atividades que considerem a felicidade de si e do outro como o mais importante.

Ah! Se pudéssemos voltar atrás e nos permitir mais 1 ano como crianças… que valor isso não teria hoje em nossas vidas tão atribuladas? E então, porque queremos tirar isso dos nossos filhos e alunos? Brincar menos, “estudar” mais, dormir pouco, assumir responsabilidades da escolarização formal, descobrir menos o mundo espantoso ao seu redor enquanto corre no jardim. Em alguns países em que a Educação apresenta altos indicadores de resultados no aprendizado, como a Finlândia e a Suécia, cada vez mais se está optando por oferecer às crianças um ano a mais de infância.

Tradicional ou construtiva, o importante é que nós, adultos, tenhamos respeito com a criança, e possamos permiti-la demorar-se na infância, e se tornar um ser bem resolvido, porque a vida é curta, mas não precisa ser pequena. A criança por si só é curiosa e demonstrará interesse em saber mais naturalmente, e se bem estimulada a pesquisar mais sobre os “mistérios” que a cerca, demonstrando interesse em aprender. Voluntariamente, os pequenos passam a demonstrar sinais de substituição do imaginário para o mundo real, do pensamento egocêntrico para o pensamento social, a entender a abstração de fenômenos simples. Estes são os sinais de que está ficando pronta para enfrentar novos desafios e pode ampliar com tranquilidade seu processo de alfabetização.

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