Direitos dos professores, ensino de qualidade, redução de hora atividade, greve na Educação Pública… tudo junto e misturado.

PT

O que mais tem me assustado no trabalho que realizo de formação dos professores por esse Brasil a fora, é esses profissionais me afirmarem categoricamente que planejamento de aula é algo desnecessário.

Sério?

Tem professor que diz que sim, que 1) o conteúdo está todo em sua cabeça, que ele já sabe dar essa aula e que 2) não é preciso planejar toda vez que se for falar do mesmo assunto, pois 3) o conceito é aquele e não muda. 4) É o que o aluno precisa aprender e pronto.

Pronto?

Nada pronto. Esse discurso chega a me deixar tão atônita que nem sei por onde começar a explicar a esse professor que esse pensar assim o levara a estar fadado ao fracasso profissional e pessoal.

Então vamos lá responder:

1) O conteúdo pode até estar TODO na cabeça do professor, mas é o conteúdo isolado que interessa ao aluno? O que ele pode fazer simplesmente com um conteúdo em si? Prestar e passar em um vestibular? Só isso? Só isso… e olhe lá! A humanidade precisa mesmo é de pessoas melhores que os decoradores de conteúdos, porque conteúdo sem significado se esquece. Precisamos de pessoas competentes e com habilidades desenvolvidas para atuar e transformar o seu entorno. 2) E esse professor diz que não planeja suas aulas, por se tratar do mesmo assunto. Como pode? Em salas diferentes, com alunos diferentes, em regiões com necessidades diferentes? 3) O conceito muda, sim! A História é prova disso… 4) E afirmo: nem sempre (ou na maioria da vezes) o que a escola apresenta, é realmente o que o aluno precisa aprender.

Mas voltando ao assunto dos direitos dos professores: o que me chamou a atenção nas reinvindicações no Paraná nestas últimas semanas foi o discurso de que não poderiam perder a Hora atividade, pois isso está diretamente relacionado à qualidade da Educação. Discordo.

A Hora atividade é um direito adquirido do qual o professor não deve abrir mão. Ponto final. Ela serve sim para melhorar a qualidade da Educação. Mas a qualidade da educação está além disso, está na responsabilidade do professor querer fazer o seu melhor. Está na responsabilidade de o professor crescer em sua formação profissional independentemente de ser pago pra isso, pois crescimento também é algo de interesse próprio. Reconhecimento se dá por um trabalho de excelência. Levantar a bandeira de que direitos feridos interferem na qualidade da educação, me parece mais uma ameaça baixa, que qualquer discurso assertivo sobre cidadania representada aí pelos direitos da categoria.

E a ameaça piora quando se vislumbra a possibilidade da greve, ou seja, para conseguir conquistar um direito se fere o direito do outro? Do direito de um cidadão que está a mercê de um serviço público de primeira necessidade? É quando me pergunto o que aconteceria se os bombeiros entrassem em greve!

Pra mim, em alguns setores profissionais deveria ser assinado um contrato inicial que proíbe a greve, e a Educação é sem dúvida um deles.

Vamos dialogar, vamos nos posicionar, mas vamos antes de tudo amar o que fazemos e mostrar resultado.


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